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Ambiente Preparado

6 Dicas para um Ambiente Preparado

18 de Julho, 2017

O primeiro objectivo do ambiente preparado é, tanto quanto possível, levar a Criança em crescimento a ser independente do adulto” (Maria Montessori).

O “Ambiente Preparado” é o conceito que estabelece que o ambiente deve e pode ser delineado de forma a facilitar a aprendizagem e exploração o mais independente possível por parte da Criança.

Um dos grandes objctivos do Método Montessori é precisamente o desenvolvimento da independência da Criança, o que parte do reconhecimento e respeito pelo seu desejo inato de aprender a ser autónoma. Esta aprendizagem faz-se em muito pela imitação do que vê os adultos fazer, pelos materiais e actividades que lhe são propostas e pelos desafios que encontra no ambiente que a rodeia, que ao serem ultrapassados e alcançados fortalecem a sua confiança em si própria e na sua capacidade de ser independente.

Aos educares cabe, então, preparar o ambiente de forma a incentivar e promover o ganho desta autonomia. Não é necessário criar uma escola Montessori em casa. Basta seguir algumas ideias que têm por base estes objetivos, e adapta-las dentro do possível à vida de cada um. Qualquer mudança neste sentido já trará os seus benefícios.

Assim, para nos ajudar a criar um Ambiente Preparado  deixamos algumas ideias a ter em mente:

1  A “decoração” vai ter de mudar. A decisão de trazer ao mundo uma Criança trás consigo inúmeras mudanças na vida dos pais, entre as quais a necessidade de adaptar o ambiente. No geral, incentivar a independência das Crianças, limita-las o menos possível nos seus movimentos e não ter o desassossego de andar sempre a correr atrás, implica a tomada de consciência de que mudanças vão ter de acontecer. E os benéficos que advêm desta aceitação para as Crianças e para os adultos superam em grande medida o desconforto de ter de adaptar a decoração e a disposição que existia anteriormente;

2. Liberdade de Movimentos. É importante que os espaços por onde a Criança se encontra estejam preparados para que esta se possa mover livremente por entre os diversos estímulos existentes, em segurança, sem ser interrompida e de forma totalmente independente.

Maria Montessori acreditava que as Crianças devem ser livres para explorar e seguir os seus impulsos naturais, de forma a desenvolverem e aprofundarem o seu conhecimento do mundo. O Ambiente Preparado deve permitir que a Criança experimente a liberdade de movimento, a liberdade de exploração, a liberdade de interacção social e a liberdade da interferência dos outros, liberdades estas que conduzem a uma outra importante liberdade que tem de ser trabalhada: a liberdade de escolha.

3. Acessibilidade é Independênciaimages (3)Colocar-nos na prespectiva da Criança é essencial num mundo onde muitas vezes os espaços dos mais pequenos são preparados por adultos, para adultos. Como pode ser promovida a independência de uma Criança se não lhe é disponibilizado, por exemplo, um local onde se possa servir autonomamente de água, pousar um copo, aceder a alguma fruta, onde possa por a sua roupa num cesto, uma mesa para se sentar?

cozinhaSão pequenos grandes pormenores que fazer toda a diferença no que ao ganho de independência diz respeito. Quanto mais as coisas estiverem inacessíveis, mais a Criança irá depender dos adultos para as coisas do dia-a-dia e mais difícil será o seu inato caminhar para a independência e para o consolidar de uma confiança em si mesma que a acompanhará para a vida.

Um ambiente preparado nesta prespectiva traduz um tipo de respeito pela Criança em relação ao qual a cultura não está familiarizado, mas que permite efectivamente que as Crianças possam ser mais produtivas nas suas aprendizagens e explorações, ao mesmo tempo que lhes transmite a ideia de que as suas necessidades são importantes e tidas em conta pela família. Sentem-se, assim, num espaço onde podem viver, “trabalhar” e ser bem-sucedidas nas actividades e necessidades da sua vida diária.

Porque não criar em cada divisão da casa um pequeno espaço relacionado com essa divisão e direccionado especialmente para as Crianças?

4. Adaptação contínua do ambiente aos concretos impulsos exploradores (Períodos Sensíveis) da Criança. As Crianças atravessam por períodos sensíveis, que representam janelas de oportunidade para a aquisição de certas competências. No período sensível do movimento, por exemplo, que decorre aproximadamente dos zeros ao primeiro ano, os bebés aprendem a rastejar, a rebolar, a gatinhar, a pôr-se de pé e a andar. Nesta fase adoram ter estímulos que os motivem a rastejar para alcançar um objecto que os atraia, adoram ter desafios para ultrapassar quando começam a gatinhar (almofadas, túneis), sítios para se empoleirarem, desafios! E daí a importância de procurarmos observar a Criança, conhecer e estudar os períodos sensíveis pelos quais vai passando, e adaptar constantemente o ambiente com novas actividades que possam potenciar estas incríveis janelas de oportunidade e deixar as Crianças felizes e realizadas;

5. Segurança. Se o ambiente apresenta potenciais perigos para uma Criança, então é porque não está preparado. Mais uma vez é essencial ir ao nível e prespectiva da Criança para se ter uma noção do ambiente que a rodeia e o que à mesma se encontra acessível.

Baixe-se. Percorra a casa. Isto dá realmente a noção dos potenciais perigos existentes, e não se esqueça que a “prevenção e a imaginação são a melhor vacina contra o acidente”. Coloque almofadas nos locais mais perigosos, mude a disposição dos móveis, proteja os cantos das mesas, tape as tomadas com os dispositivos próprios, tenha atenção aos fios de candeeiros ou de computadores que pode puxar, aos degraus que pode subir, sítios onde pode cair, feche os armários que contenham produtos perigosos ou que se possam partir, tranque as gavetas para que não haja o perigo de se entalar ou retirar objectivos perigosos, tranque as portas das casas-de banho. Em certos espaços, pode mesmo delimitar zonas por onde a Criança pode andar em segurança. A verdade é que quanto mais proteger, mais ficará descansado e menos limitações teremos de impor nos movimento e intenções da Criança. Menos será um ambiente de “nãos”.images (2)

6. Alguns princípios. Para além da liberdade que referimos acima, é importante que o ambiente reflicta os valores de Ordem e Beleza, seja simples, limpo e convidativo, devendo-se ainda promover a utilização de materiais que invoquem a Natureza, como seja através da utilização de materiais naturais e o mais fiéis possíveis da realidade. Além disso, deve-se ter em atenção para que este ambiente permita à Criança interagir socialmente com os outros, desenvolvendo os sentimentos de empatia e compaixão, aprendendo a tornar-se socialmente atenta. É importante que interaja com as pessoas que estão à sua volta e se sinta parte integrante.

 

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