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A desconexão com a natureza – Transtorno de Défice de Natureza

3 de Agosto, 2020
Natureza

Numa época em que as nossas Crianças começam a ser categorizadas num sentido de diagnóstico de patologias diferenciais relacionadas com problemas infantis, o Transtorno do Défice de Natureza é algo que ainda não é considerado, possivelmente por não ser, ainda, um conceito estabelecido medicamente.

Existe uma preocupação acentuada e compreensível com outros tipos de défice já reconhecidos, mas este novo Défice que reconhece a gravidade e as consequências da ausência de contacto com a Natureza nem tanto e é, indubitavelmente, um problema tão grave e relevante quanto todos os outros. 

Este foi um conceito criado por Richard Louv, jornalista de profissão e autor de vários livros sobre este tema, tendo-se dedicado a investigar as consequências de cada vez termos menos contacto com a Natureza e o impacto que isso tem na vida das Crianças. E é importante frisar que este Transtorno é algo quevai muito além de ser um problema especialmente existente na infância, sendo algo que afeta a grande maioria de nós. 

Chama-se Transtorno de Défice de Natureza (Nature-Deficit Disorder) à ausência, total ou parcial, de contacto com a Natureza. As Crianças cada vez menos brincam ao ar livre, na rua, ao pé de casa (é perigoso) ou no descampado atrás da nossa casa (já não existe). 

Saem as brincadeiras no quintal, entram os apartamentos. Saem as praças e parques, entram os prédios. Saem os jogos na rua, entram os tablets e os videojogos.

Richard Louv

O mais grave ainda é que as nossas Crianças começam a perder o interesse por sair de casa, mesmo vivendo perto de espaços com Natureza, na medida em que não há uma real promoção no sentido de promover e potenciar a sua ligação e relação inata e vital com a Natureza.

Cada vez mais estudos são feitos sobre o assunto, e começam a surgir conclusões de que este é um problema grave, e que o seu reconhecimento e inversão pode melhorar tanto problemas físicos, como psicológicos. 

Como nos explica Richard, as Crianças estão a usar cada vez menos os sentidos, tal como nós. Utilizamos a visão e a audição para utilizar os écrans. E os restantes? Que problemas e consequências teremos por não estarmos a usar e explorar os restantes sentidos? Que impacto tem isto na vida adulta quando os deixamos de usar desde a infância? Que impacto tem a não utilização dos sentidos, numa fase onde o crescimento, o desenvolvimento e a absorção da realidade do mundo se fazem, precisamente, pelos sentidos?

“As Crianças estão menos vivas.”

Richard Louv

Uma angustiante e verdadeira conclusão de Richard Louv perante esta realidade.

Já tinhas reflectido sobre isto? 

Onde estão as Crianças que sobem às árvores, que andam descalças na terra, com os joelhos esfolados, que se empoleiram em tudo?

Quem quer ter Crianças menos vivas? Crianças que ficam calmas, tranquilas, equilibradas, todos o desejamos, principalmente na época por que estamos a viver, mas como podemos tê-lo se não estamos a responder às suas necessidades mais básicas, mais vitais? 

Está comprovado que as Crianças mais agitadas, e até as mais conflituosas, beneficiam muito do contacto com a Natureza. Podem até ser pequenas caminhadas pela Natureza. Crianças com obesidade, transtornos de défice de atenção, entre outras, têm muito a beneficiar deste contacto, estando comprovado que até Crianças que em contexto de sala de aula são conflituosas, ao entrarem em contacto com os colegas num contexto de Natureza tornam-se perfeitos líderes. E o que estamos a fazer a estas Crianças? Estamos a medicá-las para contrariar a sua natureza, a sua reação natural e instintiva a uma necessidade básica comprometida. 

Existem diagnósticos mais complexos que realmente precisam de apoio médico através de medicamentos (como a Ritalina) é aceitável, mas quando essa constatação se transforma em mais de 30% das Crianças dos EUA a tomarem esse tipo de medicamentos e em Portugal ter havido um grande aumento de consumo em 2018, leva-nos a crer que algo não está bem. 

Uma reflexão que fazemos constantemente nesta nova realidade é que consequências terá este isolamento social a que todos fomos forçados a fazer por motivos de saúde mundial. Como estão estas Crianças e adultos que já apresentavam estas questões? Como estamos nós a lidar com o Défice de Natureza das nossas Crianças e com o nosso?

“As nossas vidas tornaram-se de tal forma urbanas e dentro de casa, que muitos de nós raramente passamos tempo na Natureza. Isto não só é uma forma de negligenciar o laço inato com o mundo natural, com sérias consequências para a saúde e bem-estar – muitas vezes conhecido como “Défice de Natureza” – como também é uma das causas para a actual crise ambiental.”

Claire Thompson em The Art of Mindful Bridwatching


Como poderemos inspirar o cuidado com a Natureza, se o tempo que lhe dedicamos não é suficiente para a conhecer e para estabelecer um laço forte e duradouro?

Deixamos aqui um pequeno vídeo com considerações e reflexões muito importantes que Richard Louv nos deixa, e fica o convite a uma reflexão profunda sobre este Défice e de que forma o mesmo está a afetar a nossa vida e a das nossas Crianças. 

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