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Quarto Montessori

Quarto Montessori dos 0 aos 3 anos – Áreas de Actividade

11 de Abril, 2017

O “Quarto Montessori” é sempre um dos temas mais procurados e discutidos nesta pedagogia no que respeita à sua aplicação em casa.

Após termos explicado neste post algumas considerações gerais sobre o quarto Montessori, aprofundaremos hoje um pouco mais sobre aquelas que são identificadas como as áreas de actividade que devem existir neste espaço, para as Crianças dos 0 aos 3 anos de idade.

Desde quando e para quê criar as Áreas de Actividade?

Será que faz sentido criar várias áreas de actividade desde que são recém-nascidos? Fará igualmente sentido estar a colocar prateleiras com livros e alguns materiais nos primeiros meses de vida da Criança?

Estas e muitas outras questões colocam-se quando chega a altura de montar o quarto Montessori das nossas Crianças, sendo normal sentirmos-nos um pouco perdidos e sem saber onde colocar os vários elementos que compõem este espaço. Iremos aqui tentar clarificar um pouco alguns dos princípios a ter em conta.

Em primeiro lugar, é importante não esquecer que dos principais objectivos é criar um ambiente onde a Criança se vá sentir “envolvida” e atraída para os diversos desafios que vai encontrar à sua volta. Devemos sempre procurar um equilíbrio entre a existência destes desafios e o apoio que terá para a realização dos mesmos, sendo certo que a intervenção dos adultos deverá ser reduzida ao mínimo possível.

Tal consegue-se através do “Ambiente Preparado” que deve sobretudo acompanhar o desenvolvimento da Criança tanto ao nível destes desafios, como da segurança que oferece.

Assim sendo, o quarto deve ser preparado desde que a Criança nasce, e deve ser criado de uma forma a que as alterações a que vai ser sujeito de forma a responder ao desenvolvimento da Criança sejam fáceis e simples de fazer. Por outro lado, de igual importância é conseguir é que seja simples e elegante, nunca esquecendo que demasiados objectos e materiais expostos são um entrave à concentração.

É verdade que nos primeiros tempos a Criança não irá usufruir plenamente destas diferentes áreas, mas a sua importância prende-se com o facto de ir desde cedo conhecendo o seu espaço, que rapidamente irá começar a mapear mentalmente. Mesmo que durma nos primeiros meses junto dos pais, irá ainda assim passar algum tempo no seu quarto, o que fará com que o espaço se comece a tornar familiar para ela. Os sentimentos de segurança e familiaridade ao reconhecer o seu espaço daqui são muito importantes.

Que Áreas de Actividade existem?

Como em tudo, também no que respeita às áreas de actividade podemos encontrar algumas divergências no que respeita à sua enumeração. As áreas apresentadas não são estanques, e servem sobretudo de orientação para os educadores na hora de montar o quarto. O bom senso, as características do quarto, da Criança ou Crianças e da própria família, entre tantos outros factores, devem ser tidos em consideração na hora de criar ir alterando o quarto.

Acima de tudo, devemos ter em mente que o quarto deve ter:

  • Atmosfera calma e ordenada;
  • Privilegiar a Beleza;
  • Facilitar e promover a movimentação da Criança e a sua independência;
  • Facilitar e promover o interesse e concentração da Criança nos diversos desafios que encontra;
  • Desafios equilibrados, no sentido de serem alcançáveis;
  • Um quarto onde a Criança queira estar;
  • Conforto;
  • Segurança.

Rapidamente se compreende que a existência de diferentes áreas de actividade encontram justificação em muitos dos objectivos acima enumerados: permite a existência de ordem, o estabelecimento de rotinas, a aprendizagem de diversas actividades, a segurança e confiança que lhe advém do facto de conhecer o seu ambiente e saber o que lá encontra, a possibilidade de aprendizagem através da repetição, entre outros aspectos.

Posto isto, podemos identificar quatro grandes áreas essenciais num quarto Montessori:

  • Área de Dormir;
  • Área de Brincar/ Movimento / Trabalho;
  • Área de Cuidados Pessoais;
  • Área de Alimentação.

Iremos a baixo mostrar alguns exemplos de quartos para diferentes faixas etárias, e explicar para que serve cada uma das áreas.

Quarto Montessori dos 0 aos 6 meses.

Quarto Montessori dos 6 aos 18 meses.

Quarto Montessori dos 18 meses aos 3 anos.

  • Área de Dormir

Como se pode ver em todos os exemplos, o colchão é colocado no chão a representar a zona de dormir, sem prejuízo da utilização da alcofa para os primeiros meses.

Uma das características mais interessantes da aplicação do método Montessori em casa é precisamente a inexistência de berços. A cama deverá ser larga e colocada no chão, e o colchão não deverá ser muito alto, pois mesmo um bebé pequeno assim que se começar a conseguir rastejar e movimentar, irá rapidamente cobrir distâncias consideráveis ao arrastar-se.

Aconselha-se que à volta da cama seja colocado apenas um tapete suave, de forma a que caso o bebé ou Criança pequena saia da cama, por um lado não se magoe, mas ao mesmo tempo consiga sentir que saiu da sua cama para o chão. Irá desta forma começar a compreender os limites deste espaço.

Ao início, aquando da transição do berço para a cama no chão, podem-se colocar toalhas ou mantas enroladas nos limites da cama para facilitar este processo, que pode não ser fácil, pois as Crianças não estão habituadas a dormir sem “paredes”. Assim que a Criança for capaz de sair com autonomia e segurança da sua cama para fora, então já se podem colocar camas normais.

Porquê a cama no chão? Porque dá liberdade de movimento à Criança e o facto de saber que tem todo aquele espaço para explorar, motiva-a a movimentar-se. Consequentemente, promove a independência, pois a Criança é livre para ir buscar um livro, um brinquedo, vestir-se, deitar-se, levantar-se, tudo sem necessitar da ajuda dos pais. Isto faz com que a Criança se sinta confiante e capaz de tomar decisões por si. É, por fim, uma forma de respeitarmos o seus desejos naturais e capacidades, sobretudo quando são mais crescidos. Devemos, por isso, questionar-nos sobre o que vê a Criança ao acordar. Isto prende-se, para além do favorecimento da independência, com a importância que se dá àquilo com que a Criança se depara assim que acorda, e que, caso esteja num berço, pode não ser inspirador.

Inspirador poderá ser a Criança observar todo o quarto que tem à sua volta, o que pode inclusivamente ser potenciado com a afixação de um espelho ao lado da cama, e sentir-se atraída pelo ambiente que a rodeia, através de um mundo de actividades/interesses que devemos ir adequando a cada fase de desenvolvimento.

Nunca é demais lembrar que estas possibilidades todas oferecidas pela colocação da cama no chão dependem da segurança que todo o quarto oferece e que tem ser cuidadosamente observada. Além disso, pode-se pensar por uma espécie de porta de segurança pequena à porta do quarto para evitar que a Criança saia deste espaço quando os pais estão por exemplo a dormir.

  • Área de Trabalho ou Movimento

Normalmente esta área é identificável através de um tapete macio que se encontra no chão, e também de um espelho. Aqui devem estar sempre disponíveis e acessíveis materiais e actividades que representem desafios para a Criança, que devem estar ordenadamente colocados em prateleiras ao seu nível.

Nos primeiros meses esta área caracteriza-se pela existência de mobils que devem ser substituídos à medida que o bebé cresce. Estes devem estar idealmente colocados nesta área ou na área de cuidados pessoais, e não na zona de dormir, para que o bebé se vá apercebendo da diferença do tipo de acção: dormir e brincar. Outra dica importante sobre os mobiles é que devem estar sempre ao nível do peito da criança e não logo a cima da face. Isto porque o principal objectivo do mobil é a Criança desenvolver as suas capacidades de visão e concentração.

A importância do espelho prende-se com o facto de estimular a Criança a desenvolver as suas capacidades de movimento coordenado observando o seu reflexo. Devemos ir mudando a posição do espelho à medida que a Criança também for evoluindo na sua capacidade de se mover, como podemos ver nas imagens. Primeira deitada, depois de gatas e depois de pé. A barra para os mais pequenos também deve ser colocada nesta área.

Aqui observar-se que todas as zonas se mantêm idênticas, mas que vão evoluindo o tipo de materiais disponíveis.

  • Área de Cuidados

Como se pode ver através da evolução dos desenhos, esta área também precisa de ir sendo adaptada à evolução da Criança.

Num primeiro momento, pode representar o espaço onde está o tocador de fraldas em cima de uma cómoda. Este também poderá ser colocado no chão, o que poderá facilitar a troca das fraldas. Mas à medida que o bebé vai crescendo, é bom ir tendo a oportunidade de aprender a cuidar de si, o que pode ser feito através da colocação à disposição de roupas pelas quais possa optar (lembre-se que para já o que importa é o processo e não o resultado) através de cabides acessíveis, e mesmo alguns cuidados de higiene. Mais uma vez isto depende da idade e evolução da Criança, e chegará o dia em que deixará de fazer sentido ter esta área no quarto.

  • Área de Alimentação

Esta é considerada outras das áreas de um quarto Montessori. É, nos primeiros meses, o sofá ou cadeira que se coloca no quarto para alimentar o bebé. Aconselha-se a colocação de alguns quadros por trás da cadeira, que o bebé possa observar enquanto que ali estiver.

Evoluindo a Criança, evolui este espaço também. A pequena mesa que vemos nos últimos exemplos serve, por exemplo, para aqueles lanches ou vezes em que a Criança come sozinha. Isto não prejudica as refeições em família, nem mesmo a possibilidade de a Criança ter um espaço de alimentação e preparação de alimentos próprios colocado ao pé da cozinha, juntamente com outros materiais da vida prática relacionados aí colocados.

(todas as imagens de http://www.howwemontessori.com/)

Como se viu, através das imagens podemos ver a evolução do quarto, que, em todo o caso, deve ser sempre feita à medida que a Criança se desenvolve e respeitando sempre o seu ritmo.

Como é perceptível, o quarto apesar de ir acompanhado esse desenvolvimento, vai mantendo a sua estrutura. Isto transmite a tal segurança e tranquilidade de que falávamos no início, ao mesmo tempo que facilita as alterações a fazer.

Aconselhamos a procurar exemplos para se inspirar e ver exemplos da vida real, percebendo assim que nenhum quarto é perfeito e que cada família tem a sua realidade

Por fim, nada melhor do que se sentar, rastejar, rebolar-se, sair da cama, observar e explorar pormenorizadamente todo o quarto da perspectiva da Criança. O que consegue ver? O que consegue alcançar? Como é que se parece? E vá fazendo as alterações necessárias sempre que sentir que o deve fazer e que realmente resultem para a família e para a Criança.

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1 Comment

  • Reply Paige Mollica 14 de Julho, 2020 at 16:56

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